sábado, 8 de janeiro de 2011

Para entreter...



Humanos

Somos seres insaciavelmente famintos,
Fomes que nascem, diversificam-se
Provocam inclusões e exclusões sociais
Dignificam ou nos conduzem
A dimensões gradualmente miseráveis
Anulam-nos, enaltecem-nos ou jogam-nos
Em limbos impessoais.
Somos Joões e Marias
Que na insignificância
Compõem-se e perdem-se na multidão
Multilados pelo descaso, descrença
Indiferença, desamor e desrespeito.
Peregrinos, às vezes, farrapos humanos
Tecidos e destecidos pela e na vida
Nos circuitos fechados
Dos individualismos egoístas
Em que o ter se sobrepõe ao ser.
Somos seres solitários, apesar de sociáveis.
Máquinas extraviadas para um viver árido
Inconscientes, impotentes e enclausurados
Num conformismo vil e vulgar
Numa acomodação que desidentifica
Pela vileza das regras
De uma sociedade opressora.
Mas... somos GENTE!
Sabemos também tecer misérias,
Injustiças e solidões
E arquitetando pensamentos novos
Ações livres, amedrontadas ou arrojadas
Materializamos a nossa força coletiva
E amarramos os nossos arados 
Nas teias concretas da solidariedade
Que nos torna mais humanos.

Francisca Jorge
Medalha de prata no III Concurso Nacional da ABEPL

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